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A perícia médica do INSS é um dos momentos mais importantes para quem está em busca do BPC Loas para o filho com autismo. E também um dos mais temidos.
É na perícia que vai ser decidido se a criança tem de fato uma deficiência que dará direito ao recebimento do BPC Loas ou não.
Muitas mães ficam nervosas,em pânico até, eu diria, principalmente se for a primeira vez que vão passar pela perícia.
E mesmo aquelas que já passaram não deixam de se preocupar. Afinal, se já foi negado o benefício uma vez, existe, sim, o risco de negar uma segunda, terceira vez.
Aqui eu vou te falar exatamente o que fazer, e também o que não fazer, para aumentar as chances de o seu filho ser aprovado na perícia do INSS.
Quando falamos de BPC Loas para crianças com autismo, ou qualquer outro tipo de deficiência, temos que entender o que o médico vai avaliar.
O primeiro objetivo da perícia é avaliar a documentação médica que você apresentou quando deu entrada no pedido.
Na verdade, não só a documentação médica, mas também outros documentos que você tiver que comprovem as condições do seu filho.
O segundo objetivo da perícia é confirmar se o que consta na documentação médica corresponde à realidade.
Então, a perícia deverá ter dois momentos: um onde o médico irá pedir os documentos e outro onde ele irá fazer uma entrevista com você e com a criança.
No dia da perícia, é muito importante você se lembrar de levar o seu documento de identidade e também o documento de identidade do seu filho.
Se ele não tiver documento de identidade, leve a certidão de nascimento mesmo.
Leve também o Laudo Médico feito pelo profissional que deu o diagnóstico do seu filho. Se tiver mais de um Laudo, pode levar todos.
Não esqueça de levar, também, o Relatório Neuropsicológico, o Relatório Pedagógico e também o relatório dos outros profissionais da equipe que acompanha seu filho, como fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo.
Porém, não basta que o Laudo Médico tenha apenas a informação sobre a CID e que a criança possui autismo.
O Laudo Médico precisa ser completo. Dizer as limitações e dificuldades que ela enfrenta no dia a dia, como dificuldade de aprendizado, dificuldade de socialização, dependência de terceiros, hipersensibilidades, os atrasos que ele teve e ainda tem.
Documentos que não tenham estas informações ou que dizem como seu filho vem evoluindo nem mesmo devem ser levados para a perícia.
Leve também as receitas dos medicamentos que seu filho toma e até mesmo a caixa deles.
O foco da perícia é verificar se o que foi falado no Laudo Médico realmente é verdade.
Se a criança for maior, geralmente acima de 5 anos, o perito vai fazer perguntas para ela e para você.
Quanto mais bem feito for o Laudo Médico, com a descrição das limitações que seu filho tem, mais deve demorar a perícia.
Geralmente, quando o Laudo possui poucas informações, a perícia dura pouco tempo e é quase certeza que o pedido vai ser negado.
Mas, se o Laudo Médico é bem completo, a perícia deve durar um pouco mais e há maiores chances de ser aprovado o BPC Loas.
Sobre o que falar, eu só posso lhe dar um conselho: seja sincera!
Não adianta tentar mentir, porque o perito, provavelmente, vai perceber que você não está falando a verdade.
Se seu filho tem dificuldade de aprendizado, o médico irá fazer perguntas para ele para confirmar isso.
Pode verificar se ele sabe as cores. Dependendo da idade, pode fazer perguntas sobre a natureza, de matemática.
Pode analisar como é a fala da criança e se ela sabe responder a comandos, como pegar um objeto, como uma caneta.
Também vai observar se seu filho faz as coisas sozinho ou se te chama, seja para você ajudar ou para autorizar que ele faça.
Isso é para verificar se ele é uma criança independente ou se depende de adultos, por exemplo, para fazer as coisas mais básicas.
É possível que o perito faça perguntas para você sobre: quando você notou que ele tinha autismo; se o seu filho anda ou andou nas pontas dos pés; se enfileira objetos; se tem dificuldade para dormir.
Vai perguntar quais os atrasos que a criança tem. Se frequenta a escola, como é o comportamento dele lá, se interage com as outras crianças e com a professora.
De maneira geral, questões de comportamento e atitudes da criança devem ser perguntadas para você.
Para a criança será perguntado sobre questões relacionadas ao aprendizado.
Tudo isso para dizer se o autismo atrapalha realmente o seu filho em algum aspecto do dia a dia.
Primeiramente, preciso te orientar a responder só o que for perguntado.
Não fique tentando dar detalhes demais, pois você pode se enrolar e falar o que não deve.
Nunca diga que seu filho é muito esperto, que aprende tudo com muita facilidade.
Não estou dizendo para você mentir, mas para omitir.
O médico do INSS não está lá para te ajudar. Na verdade, qualquer deslize que você der, um detalhe qualquer pode levar tudo por água abaixo.
Também não diga para o seu filho ficar quieto. Não fique contendo ele.
Deixe ele bagunçar, ter crises.
Não dê os remédios passados pelo médico para melhorar o comportamento, a atenção ou o sono do seu filho nos dois dias antes da perícia.
Aqui está uma dica que pode fazer uma grande diferença na hora da perícia.
Seu filho foi diagnosticado com autismo por causa das características atípicas que ele apresentou antes de começar a tomar a medicação.
Se você der os remédios para o seu filho, ele, provavelmente, estará mais calmo, mais contido, mais obediente.
Portanto, se ele estiver tomando a medicação, o médico não vai conseguir perceber que, de fato, a criança tem tudo o que está sendo dito no Laudo Médico.
O médico do seu filho deu o Laudo sem medicação. O médico do INSS também precisa analisá-lo sem a medicação.
Então, leve as caixas dos remédios para a perícia, mas não dê para o seu filho pelo menos dos dois dias anteriores à perícia.
No mais, só posso lhe desejar boa sorte.
E caso, o pedido seja negado por não ser reconhecida a deficiência, saiba que é possível reverter a decisão na justiça, onde será feita uma nova perícia, por um médico especialista.
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