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BPC/Loas: Como é a perícia médica do INSS para criança com autismo (e o que pode fazer seu filho ter o benefício negado)

Perícia médica do INSS

Se você está com a perícia do INSS marcada para o BPC/Loas do seu filho com autismo, é normal sentir ansiedade. Principalmente se for a primeira vez que vocês vão passar por ela.

A maioria das mães chega nesse momento pensando a mesma coisa: “Será que vai dar certo?”

E existe um motivo para esse medo.

A perícia médica é, na prática, uma das etapas mais importantes de todo o processo. É nela que o INSS vai decidir se reconhece — ou não — o direito ao benefício.

E aqui está um ponto que muita gente só descobre depois da negativa: não basta ter o diagnóstico de autismo.

Você precisa convencer o perito do INSS de que o seu filho realmente precisa do benefício.

E eu vou utilizar a minha experiência de mais de 15 anos de advocacia para te falar tudo — ou quase tudo — que você precisa saber para se sentir mais segura antes de passar pela perícia.

O que realmente acontece na perícia do INSS

Muita gente acredita que a perícia serve apenas para confirmar o laudo médico.

Mas, na prática, o que o INSS quer avaliar é outra coisa: como o autismo impacta a vida do seu filho.

O médico perito vai analisar se aquilo que está no papel realmente corresponde à realidade.

Isso inclui avaliar:

  • se seu filho possui dificuldades na comunicação;
  • qual o nível de dependência no dia a dia (nível de suporte);
  • como ele se comporta;
  • como é a interação social;
  • se possui necessidade de acompanhamento constante.

Ou seja, não é uma análise apenas técnica.

É uma análise da vida real.

O problema começa aqui

O grande problema é que essa avaliação nem sempre é feita com a profundidade que deveria.

Na prática, o que eu vejo com frequência é:

  • perícias rápidas;
  • médicos despreparados;
  • pouca atenção à realidade da família.

E isso pode levar a uma conclusão equivocada.

Muitas mães só entendem como a perícia funciona depois que recebem a negativa. E, nesse momento, fica aquela sensação de que algo poderia ter sido feito diferente.

Mesmo quando a criança tem dificuldades claras, o benefício pode ser negado.

O que o médico pode perguntar (e o que realmente importa)

Durante a perícia, o médico pode fazer perguntas simples, mas que têm um peso enorme na decisão.

Ele pode perguntar, por exemplo:

  • seu filho se comunica bem?
  • ele consegue se alimentar sozinho?
  • toma banho sozinho?
  • se veste sozinho?
  • como é o comportamento na escola?
  • possui professor auxiliar?
  • ele precisa de ajuda constante?
  • ele sabe identificar o que é certo e o que é errado?
  • ele tem noção de perigo?

Essas perguntas não são aleatórias.

Elas servem para avaliar o nível de autonomia da criança e o impacto do autismo no dia a dia.

E aqui está um ponto importante: fale o máximo de detalhes das dificuldades que vocês passam todos os dias.

Não estou falando das dificuldades financeiras. Estou falando daquilo que te deixa exausta no fim do dia e, muitas vezes, até te faz chorar. Do cuidado constante, da dependência para fazer até as coisas mais simples.

Se a realidade não for mostrada como ela realmente é, o risco de negativa aumenta muito.

Um ponto que quase ninguém te explica sobre o dia da perícia

Muitas mães ficam preocupadas com uma situação específica: o filho estar em um “dia bom” no momento da perícia.

Isso é mais comum do que parece.

A criança pode estar mais tranquila, mais comunicativa ou menos agitada naquele dia — e isso pode passar uma impressão diferente da realidade.

Por isso, é importante que o perito consiga observar o comportamento mais próximo possível do que acontece no dia a dia.

Em alguns casos, o uso de medicação pode alterar esse comportamento.

Por isso, é comum a orientação de que a medicação seja suspensa nos dias que antecedem a perícia, justamente para que o médico consiga avaliar a criança como ela realmente é.

Mas atenção: isso deve ser feito apenas com orientação médica.

O mais importante aqui é garantir que a realidade do seu filho seja demonstrada da forma mais fiel possível.

Erros que podem prejudicar o resultado da perícia

Alguns erros são muito comuns e podem comprometer o resultado, mesmo quando o direito existe.

Os principais são:

  • levar apenas um laudo simples;
  • não apresentar relatórios de terapias ou da escola;
  • minimizar as dificuldades da criança;
  • não explicar a rotina real do dia a dia;
  • apresentar informações que não batem com os documentos.

Esses pontos fazem com que o perito tenha uma visão incompleta — ou até equivocada — da situação.

Um erro comum que prejudica a perícia

Um dos erros mais frequentes é chegar na perícia com documentação insuficiente.

O perito do INSS não quer ver apenas o laudo médico do neurologista ou psiquiatra. Ele precisa do máximo de informações que você puder fornecer.

Ele pode considerar:

  • relatórios de terapeutas (fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, neuropsicóloga);
  • relatório escolar;
  • histórico de desenvolvimento da criança.

Quando esses documentos não são apresentados, a análise fica limitada.

E isso pode fazer parecer que o impacto do autismo é menor do que realmente é.

Outro ponto que pode fazer diferença (e muita gente ignora)

Existe algo que pesa bastante na avaliação: o que está escrito no laudo precisa bater com o que é dito na perícia.

Se o médico percebe contradições, isso pode prejudicar o resultado.

Por exemplo: o laudo descreve grande dependência, mas na perícia você afirma que seu filho faz tudo sozinho.

Nesse tipo de situação, o Perito do INSS pode entender que não há impedimento suficiente para aprovar o benefício.

Enquanto isso, a expectativa só aumenta

A perícia não é só um procedimento técnico.

Ela carrega expectativa.

Porque, na prática, o resultado dela impacta diretamente:

  • o acesso ao tratamento;
  • a organização financeira da família;
  • e até a tranquilidade no dia a dia.

Quando o resultado é negativo, a sensação é de frustração, medo e insegurança.

E, muitas vezes, vem a dúvida: “Será que eu fiz algo errado?”

O que você precisa entender antes da perícia

A perícia não é só um momento para “convencer” o médico.

É um momento para mostrar a realidade.

E isso faz toda a diferença.

O que realmente importa é:

  • demonstrar o impacto do autismo no dia a dia do seu filho;
  • apresentar documentos que comprovem isso;
  • manter coerência entre o que está nos laudos e o que é relatado.

Sem isso, o risco de negativa aumenta — mesmo quando o direito existe.

O que falar no dia da perícia? Posso ajudar meu filho a responder?

Sei que o que você mais está interessada é nas respostas dessas duas perguntas:

  • O que falar no dia da perícia?
  • Posso ajudar meu filho a responder?

Sempre as ouço quando vou orientar as mães aqui no escritório.

Primeiro, você precisa entender que o Perito do INSS não é seu amigo. Não está lá para te ajudar.

Alguns são extremamente grossos.

Então, você vai responder o que ele te perguntar. Mas tenha como foco sempre deixar muito claras as dificuldades que seu filho passa todos os dias, como:

  • dificuldade de aprendizado;
  • dificuldade na fala (quando a criança é não verbal);
  • dificuldade de seguir ordens ou comandos que você dá para ele;
  • dificuldade na alimentação (se ele tiver seletividade alimentar);
  • dificuldade de socialização (só brinca ou interage com pessoas que ele conhece e confia);
  • dificuldade de lidar com mudanças;
  • qualquer outro tipo de hiperssensibilidade que ele tiver;
  • distúrbios do sono.

 

Esses são só alguns exemplos e você tem que responder conforme a sua realidade.

Já com relação à pergunta se você pode ajudar seu filho responder, vai depender da idade dele.

Crianças muito pequenas, geralmente até 3 anos de idade, costumam não conseguir responder muitas coisas. Neste caso, você pode, sim, ajudar a responder.

Mas, mesmo crianças um pouco mais velhas, com 5 anos ou mais, se ela não der muitos detalhes sobre o que o médico perguntar, você pode complementar a resposta.

Você vai ter que sentir o ambiente, para ver se o médico vai te dar esta liberdade.

Porém, entenda uma coisa: seu filho estará sendo observado desde a hora que colocar os pés no INSS.

Até os recepcionistas avaliam e passam informações para o Perito. Então, deixe seu filho livre, deixe fazer bagunça, dar crise, não deixe que a vergonha te impeça de conseguir o benefício para ele.

E se o benefício for negado?

Se o INSS negar o benefício, isso não significa que o seu filho não tem direito.

Em muitos casos, a negativa acontece por:

  • análise superficial
  • documentação insuficiente
  • avaliação incompleta

E isso pode ser questionado, seja por meio de recurso no próprio INSS, seja pela via judicial.

Conclusão

A perícia médica do INSS é uma etapa decisiva no pedido de BPC/Loas para crianças com autismo.

Mas o resultado dela não depende apenas do diagnóstico.

Depende de como a realidade do seu filho é demonstrada.

E ter a orientação adequada pode fazer toda diferença.

Quando isso não é feito da forma correta, o risco de negativa aumenta.

Por outro lado, quando o caso é bem apresentado, com documentos adequados e informações consistentes, as chances de reconhecimento do direito são muito maiores.

Por isso, analisar o seu caso antes da perícia pode evitar erros que custam tempo, dinheiro e desgaste emocional.

Se você está passando por esse momento, entender como essa etapa funciona pode fazer toda a diferença no resultado.

Se precisar de ajuda, clique no botão de Whatsapp aqui do lado.

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